A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo é um dos mais importantes marcos históricos de Itapemirim, refletindo a formação e o desenvolvimento do município desde os primeiros núcleos de povoamento no século XVIII. Sua trajetória reúne fatos marcantes da história local, desde a antiga capela da Fazenda Caxangá até a construção do atual templo, inaugurado em 1855, tornando-se símbolo da fé, da cultura e da identidade itapemirinense.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo – Itapemirim – ES

Conteúdo elaborado por Luciano Retore Moreno.

Apesar de tentativas anteriores, a ocupação do Vale do Itapemirim, próximo à sua foz deu-se efetivamente por volta de 1700, com a vinda de colonizadores vindos da Bahia, chefiados por Domingos de Freitas Bueno Caxangá.

Logo perceberam que havia muita salinidade na água do rio, o que dificultaria o assentamento de uma povoação naquele espaço. Subiram então o rio, até uma distância de meia légua, aproximadamente 2,5 Km, onde puderam finalmente de estabelecer e criar a Fazenda Caxangá, retomando a produção de açúcar em um engenho abandonado, lembrança de tentativas anteriores.

No alto da colina, às margens do rio, então batizada de Fazendinha, Domingos Caxangá mandou construir a casa grande e a capela, como era costume na época.

Origem Fazenda Caxangá

Em 1765, mineradores que exploravam as jazidas de ouro na região de Castelo, constantemente atacados pelos verdadeiros donos das terras, os índios puris, acabaram abandonando as minas e migrando para o litoral, em busca de um recomeço de vida. Para a pequena capela construída décadas antes no alto da Fazendinha, foram trazidas pelo padre Amaro da Silva Carneiro as imagens de Nossa Senhora e São Benedito, além do sino e paramentos.

Com o surgimento da povoação próxima à sede da fazenda, a velha capela se tornou a primeira matriz dedicada a Nossa Senhora do Amparo. Contudo, além de pequena, os obstáculos em um caminho muitas vezes encharcado pelas chuvas e pelas cheias do Itapemirim, dificultavam o acesso da população aos eventos religiosos.

Nossa Senhora do Amparo

São Benedito

Para tentar resolver o problema, em 15 de dezembro de 1815, no mesmo ano da emancipação da Vila, o Presidente da Província Francisco Alberto Rubim determinou a construção um novo templo mais próximo da povoação. Levantado com as paredes externas de alvenaria, e a estrutura interna com esteios de pau a pique, a obra foi concluída em 1820.

Nova sede na Vila do Itapemirim

A rua que surgiu em frente á nova matriz passou a ser denominada Rua Nova, atual Jerônimo Monteiro. Apesar da sua privilegiada localização, a falta de conservação comprometeu a estrutura de madeira, severamente atacada por cupins e se tornou um perigo para os frequentadores. Menos de trinta anos depois de ser construída, já não conseguia acolher a todos nos encontros dominicais.

Diante do desconforto gerado pelos problemas de infraestrutura da igreja, em 1846 a Câmara Municipal de Itapemirim determinou a construção de uma nova matriz em um terreno localizado nos fundos da vila. O lançamento da pedra fundamental deu-se em 8 de setembro de 1847 e o início das obras em janeiro do ano seguinte, sob o comando do frei capuchinho Paulo Antônio Casas Novas, pároco do município.

Frei Capuchinho Paulo Antônio Casas Novas

Nova e maior sede que permanece até a atualidade.

 As pedras que serviam de lastro dos navios que vinham comercializar o açúcar no porto da Barra foram fundamentais para a grande obra e como não havia cimento ainda, a liga da massa conhecida como cal, era obtida através do óleo de baleia ou de cação, onde se adicionava pó de conchas torradas. O espaço em frente à matriz, ainda desprovido de qualquer benfeitoria, foi denominado Praça Frei Paulo, ou praça da matriz.

Em 1966 o prefeito Airton de Moreno calçou, arborizou e construiu ali um novo espaço com a colocação de bancos e banheiros, rebatizando-o Praça Domingos Martins, em homenagem ao personagem da História do Brasil nascido no município e que participou de um movimento contra o domínio colonial português, a Revolução Pernambucana de 1817.

Prefeito de 1966 – Airton de Moreno

Praça da Vila – Domingos Martins

O ato oficial de inauguração do novo templo deu-se em 15 de setembro de 1855, com os habitantes iluminando as frentes de suas casas durante a noite. Os festejos que duraram três dias tiveram inicio com o traslado das imagens de Nossa Senhora do Amparo e São Benedito e de todos os paramentos para a nova matriz, conduzidas pelo padre João Phelippe Pinheiro, sucessor de Casas Novas. Mais de duas mil pessoas da comunidade, incluindo autoridades eclesiais e fazendeiros assistiram ao que foi um grandioso ato religioso.

Curiosidades sobre a Matriz de Nossa Senhora do Amparo

Quando terminada, na parte de cima frontal da igreja, foi colocada uma grande cruz de ferro, destruída por um raio no dia 22 de dezembro de 1877, sendo então substituída por uma menor de madeira.

A placa fixada acima da porta central menciona a data de 1853 é uma homenagem ao frei Paulo de Casas Novas, coordenador das obras da matriz e que fora transferido, naquele ano para Sergipe. Ela não corresponde à inauguração da igreja, como se pensava.

Placa em cima da porta – Homenagem a Frei Paulo de Casas Novas

Era costume da época o sepultamento das pessoas mais abastadas no interior da Igreja, como foi o caso de membros da família Gomes Bittencourt. Essa prática viria a ser abandonada no início do século XX cedendo às pressões das autoridades de saúde. que associavam muitas doenças aos miasmas que escapavam pelas frestas do assoalho. Os restos mortais encontrados quando o antigo assoalho, já bastante danificado, foi substituído pelo piso atual, em 1949, quando chefiava a paróquia o padre Irineu. 

D. Pedro II foi recebido na matriz, quando de sua visita à Itapemirim, em 7 de fevereiro de 1860, em virtude de as obras do prédio da Câmara Municipal ainda não estarem concluídas.

A igreja possui duas torres em seu frontal, mas apenas uma possui o campanário do sino.

Sino

A seguir mais imagens da Igreja e seu interior repleto de história.